"Más de 55.000 personas afiliadas; decenas de grupos ?ultras? en los estadios de fútbol; bandas de rock nazi o identitario; agresiones contra extranjeros, negros, homosexuales. Bajo el sonriente paraguas de Silvio Berlusconi, vuelven a Italia las consignas totalitarias y la violencia fascista."
Era assim que se iniciava a reportagem do El País sobre o renascimento (ou será o despertar de um longo sono?) do fascismo em Itália. Venho aqui expressar a minha preocupação com este fenómeno que felizmente parece ainda não ter cá chegado.
O link para a reportagem, em castelhano (foi também publicada, pelo menos parcialmente, na Visão de 19/11/2009), é o seguinte:
http://www.elpais.com/articulo/portada/fascismo/despierta/Italia/elpepusoceps/20091004elpepspor_8/TesAconselho a leitura do artigo, que está muito completo e bem escrito. De qualquer das formas, queria realçar o seguinte: se o ressurgimento de organizações fascistas, racistas e xenófobas já é por si um facto aterrador, mais ainda se torna quando goza da protecção e às vezes incentivo por parte do poder; ou pior, quando essas organizações passam a ser o próprio poder (caso, por exemplo, da Lega Nord).
E neste contexto, é preciso referir um nome: Silvio Berlusconi. Silvio, o Duce (como já foi chamado), Silvio, o Homem do Povo, Silvio, o Playboy... podia estar aqui o dia inteiro porque este senhor já fez de tudo, quase sempre de uma maneira obscura e/ou ilegal. Ao longo dos últimos 20 anos, principalmente, este magnata das telecomunicações e do futebol foi progressivamente aproximando-se de grupos de direita e extrema-direita, com os quais convenientemente se coligou para ganhar eleições. E teve sucesso. Sempre em nome da Bella Italia (e bela é, de facto, o que só me entristece mais), Silvio tem feito aprovar impunemente medidas inconcebíveis - tentou até conferir a si próprio imunidade - e protegido grupos cuja própria existência é desafiadora de todas as convenções de Direitos do Homem, ratificadas pela Itália. É o "paraguas" (guarda-chuva) de que fala o El País.
Berlusconi conseguiu reduzir a população cigana italiana em 80%: o resto, encarcerou-os em guetos. Não contente, forçou os médicos a denunciarem os imigrantes ilegais que lhes pedissem auxílio. Agora, depois de ter diminuído o orçamento das forças policiais, legalizou as milícias populares. E eu que pensava que as bruxas já tinham sido todas caçadas.
Esta é apenas uma pequena parte do terror. O artigo tem muito mais, e mesmo assim deixou aspectos de fora.
Agora pergunto: Não há ninguém que pare este criminoso? O Saramago sozinho não vai lá.